terça-feira, 15 de janeiro de 2013

Corrimento na gravidez

CORRIMENTO NA GRAVIDEZ

Autor do texto: Pedro Pinheiro - 14 de janeiro de 2013 | 00:10




Corrimento vaginal é o nome dado a qualquer secreção de líquidos pelo canal vaginal. O corrimento vaginal é uma situação muito comum e na maioria dos casos não indica qualquer problema ginecológico. Toda mulher a partir da puberdade pode apresentar algum grau de corrimento vaginal.

O corrimento vaginal normal, que é aquele não relacionado a doenças ou inflamação ginecológica, é chamado de corrimento vaginal fisiológico. Quando a mulher tem uma doença ginecológica e o corrimento surge por conta deste problema, chamamos de corrimento vaginal patológico.

Neste artigo vamos nos ater apenas ao corrimento vaginal que ocorre nas mulheres grávidas, explicando como distinguir um corrimento vaginal fisiológico e um corrimento vaginal patológico.

Se você quiser informações sobre o corrimento vaginal em mulheres não grávidas, leia: CORRIMENTO VAGINAL | VAGINITE.

Corrimento vaginal na gravidez


O corrimento vaginal fisiológico é formado pela combinação de células mortas da vagina, bactérias naturais da flora vaginal e secreção de muco. O corrimento normal costuma ter entre 1 e 4 ml de volume diário e a sua função é umedecer, lubrificar e manter a vagina limpa, impedindo inflamações e dificultando o surgimento de infecções.

O corrimento vaginal fisiológico é estimulado pelo hormônio estrogênio e, portanto, pode ter seu volume aumentado em períodos onde há maior estimulação hormonal, como nos casos de gravidez. Outro fator que aumenta o volume de corrimento na gravidez é a maior aporte e sangue para região vaginal.

O corrimento vaginal normal costuma ser branco, leitoso ou transparente, espesso e com odor fraco. Uma das dicas mais importantes para identificar um corrimento fisiológico é a ausência de sinais ou sintomas de irritação, como dor, ardência, vermelhidão ou coceira na vagina e/ou vulva.

É importante destacar que uma discreta irritação na vulva pode ocorrer em algumas mulheres com corrimento fisiológico. Nestes casos, cabe ao obstetra, através de exames, descartar a presença de infecções.

O corrimento na gravidez costuma se intensificar conforme a gestação avança, sendo maior nos 2º e 3º trimestres de gestação. Em algumas mulheres, o corrimento pode ser bem volumoso, causando certo desconforto e constrangimento. Mesmo que o corrimento seja bem grande, não tente interrompê-lo e não use tampões internos, pois isso aumenta o risco de infecção ginecológica.

Dicas para evitar a contaminação do corrimento:
  • Use sabonetes neutros. Evite sabonetes perfumados ou bactericidas.
  • Durante a higiene, não é preciso lavar dentro da vagina.
  • Nunca faça ducha vaginal, mesmo após relação sexual.
  • Use calças largas ou saia.
  • Não use absorventes internos.
Mulheres grávidas podem apresentar outras secreções vaginais durante a gravidez além do corrimento fisiológico. Entre elas, estão a perda do tampão mucoso, sangramentos, rompimento da bolsa e corrimentos patológicos. É importante conhecer as caraterísticas de cada um para saber distingui-los.

Perda do tampão mucoso


Tampão mucoso
Ao longo da gravidez, as secreções naturais produzidas pela vagina vão se depositando no colo do útero, vedando-o em relação ao exterior. Esta substância acumulada recebe o nome de tampão mucoso e sua função é impedir que bactérias da vagina tenham acesso ao interior do útero.

No momentos finais da gravidez, o peso do bebê associado a um afinamento e alargamento do colo do útero faz com que o tampão seja expelido. A saída do tampão mucoso é um sinal de que o útero está se preparando para o parto.

Há mulheres que perdem tampão mucoso apenas horas antes de dar à luz, mas há casos em que o trabalho parto ainda demora vários dias, às vezes até 2 semanas, para se iniciar. A saída do tampão mucoso indica que o bebê nascerá em breve, mas de modo algum é um sinal de início do trabalho de parto. Se não houver outros sinais, não é preciso entrar em contato com o obstetra de forma urgente.

O tampão mucoso pode ter várias aparências. Em algumas mulheres ele é uma secreção pegajosa bem clara, tipo clara de ovo, e pode passar despercebido, misturando-se ao corrimento fisiológico. O tampão mucoso também pode ter uma aparência gelatinosa, semelhante a um catarro. Haver um pouco de sangue misturado também é comum, fazendo com que o tampão tenha um aspecto semelhante ao da imagem acima.

Corrimento marrom ou sanguinolento


Qualquer corrimento marrom, avermelhado ou tipo borra de café deve ser sempre valorizado, pois costuma indicar a presença de sangue. O corrimento marrom geralmente é sinal de sangue coagulado que esteve em contato com o ar dentro da vagina antes de ser expelido. Corrimento com sangue vivo, por outro lado, é habitualmente sinal de sangramento que acabou de ocorrer.

Nos primeiros dias de gravidez é possível haver uma discreto corrimento amarronzado, que costuma ocorrer como consequência da implantação do embrião na parede do útero. Em geral, quando isso ocorre, as mulheres ainda não sabem que estão grávidas, e algumas chegam até a confundi-lo com o início de um novo período menstrual. Este tipo de corrimento é perfeitamente normal.

Durante o primeiro trimestre, com o aumento da vascularização do útero e da vagina, é possível haver uma pouco de corrimento amarronzado ou sanguinolento, em decorrência da rotura de pequenos vasos, especialmente após relação sexual ou qualquer outro esforço. Este tipo de sangramento é geralmente discreto e autolimitado, não representando nenhum risco à gravidez.

Todavia, sangramentos no primeiro trimestre podem ser sinal de aborto ou gravidez ectópica. O sinais de alerta são um corrimento sanguinolento em grande quantidade associado a dores ou cólicas abdominais. Na dúvida, qualquer corrimento com suspeita de sangue deve ser avaliado pelo obstetra (leia: SANGRAMENTO NO INÍCIO DA GRAVIDEZ | Primeira metade).

No terceiro trimestre, um corrimento sanguinolento pode indicar alguma complicação, como descolamento prematuro da placenta ou parto prematuro. Outra situação que pode causar sangramento vaginal nas grávidas em fase final de gravidez é a placenta prévia, um problema que ocorre quando a placente está implantada à frente da saída do útero, obstruindo a passagem e impedindo a saída do feto durante o parto.

Qualquer corrimento sanguinolento na segunda metade da gravidez deve ser avaliado rapidamente por um obstetra.

Corrimento amarelado e/ou com mau cheiro


Corrimentos que não tenham características de corrimento fisiológico devem ser avaliados pelo obstetra, pois uma infecção ginecológica pode estar em curso. Entre os sinais de um corrimento patológico, podemos destacar:
  • Corrimento amarelado ou esverdado.
  • Corrimento com cheiro forte (cheiro de peixe cru).
  • Dor vaginal.
  • Coceira vaginal.
  • Corrimento associado a ardência para urinar.
  • Mudança súbita nas características ou no volume do corrimento.
As infecções ginecológicas durante a gravidez têm importância, pois estão associadas a inúmeras complicações, como parto prematuro, aborto, morte fetal, infecção do feto, etc.

As infecções que provocam vaginites (inflamação da do canal vaginal) são as principais causas para o corrimento patológico. São elas:

Rompimento da bolsa


O feto dentro do útero fica envolto por uma membrana, que é preenchida com líquido aminótico. Esta membrana é chamada popularmente de bolsa d'água ou bolsa das águas.

O rompimento da bolsa ocorre no início do trabalho de parto e provoca uma grande drenagem de líquido pela vagina. Na maioria dos casos, não há muito como confundir esta situação com um corrimento vaginal. Todavia, a saída de líquido pode ser pequena e intermitente, caso a cabeça do feto encoste no colo do útero e passe a funcionar como uma espécie de válvula, permitindo a passagem de líquido aminótico de forma parcial, somente quando a mãe se deita ou tosse.

O líquido amniótico é bem claro e líquido, mas pode ser um pouco amarelado e, às vezes, com algumas raias de sangue.


Leia o texto original no site MD.Saúde: CORRIMENTO NA GRAVIDEZ http://www.mdsaude.com/2013/01/gravidez-corrimento.html#ixzz2I34FRuR0

segunda-feira, 14 de janeiro de 2013

DIETA RICA EM FIBRAS PARA IMPEDIR A PROGRESSÃO DO CANCER DE PROSTATA

Dieta rica em fibra pode impedir
progressão de cancro da próstata

2013-01-11
Imagem do estudo tornou-se capa da publicação
Imagem do estudo tornou-se capa da publicação
Uma dieta rica em fibra pode ajudar a controlar a progressão do cancro de próstata em fases mais precoces da doença, segundo revela um estudo da Universidade do Colorado, nos EUA, publicado recentemente na «Cancer Prevention Research» e cuja imagem da investigação se tornou capa da publicação.

A taxa de ocorrência de cancro da próstata em culturas asiáticas é semelhante à das culturas ocidentais; no entanto, no Ocidente, a doença tende a progredir e na Ásia não. Os investigadores consideram que a resposta pode ser uma dieta rica em fibras.
Para a investigação, Komal Raina e os seus colegas alimentaram dois grupos de ratos, uns com hexafosfato de inositol (IP6), um dos principais componentes de dietas ricas em fibra e outro grupo de controlo que não recebeu o composto e monitorizaram os animais através de ressonância magnética.

Os resultados mostraram uma redução drástica no volume do tumor, devido aos efeitos antiangiogénicos do IP6, segundo os investigadores que afirmam que “a alimentação com o ingrediente activo de uma dieta rica em fibras impediu os tumores da próstata de criar novos vasos sanguíneos necessários para abastecê-los com energia e sem esta o tumor não pode crescer".

Os mecanismos possíveis para os efeitos da IP6 contra o metabolismo incluem a redução de uma proteína chamada GLUT-4, que é fundamental para o transporte de glicose. No entanto, a equipa continua a fazer mais estudos e a procurar variações genéticas entre povos asiáticos e ocidentais que poderiam explicar a diferença nas taxas de progressão deste tipo de tumor.

CONHEÇA O "PICHOLEJO"

Pixelejo, azulejos feitos no computador

Tiago Tejo utiliza os pixéis para reproduzir azulejos tradicionais

2013-01-11
Por Sara Pelicano (imagens: Pixelejo)
Tiago Tejo, um artista em píxel art.
Tiago Tejo, um artista em píxel art.
O tradicional azulejo que reveste fachadas de muitos prédios portugueses foi reinventado por Tiago Tejo. Baptizou a sua ideia como Pixelejo, uma mistura de píxel com azulejo que representa bem aquilo que é a sua arte.

“Ambos são muito presentes na minha vida, o azulejo por motivos óbvios vivendo em Portugal, a píxel art [arte feita com píxeis] porque está presente nos jogos e computadores com que convivi desde miúdo”, explica o jovem estudante de História da Arte na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa.
O Pixelejo nasce em 2008 por mero acaso. Na cabeceira estava um livro sobre azulejos, “tema pelo qual começava a interessar-me”, e na secretária o computador onde recuperava um jogo de infância.

Uma parede com Pixelejo no Cais de Gaia.
Uma parede com Pixelejo no Cais de Gaia.
Olhando para um e para outro, resolveu juntá-los porque “o princípio do azulejo é o mesmo do píxel. São quadrados que isolados têm uma função e quando combinados têm outra diferente", afirma Tiago.

Aos olhos de Tiago esta ligação da tecnologia ao tradicional azulejo de cerâmica é “simples”. O primeiro passo é abrir um documento no computador, semelhante a uma tela de pequeníssimos quadrados, os quais são reproduzidos de acordo com o desenho original que está a seguir.

"Também tenho feito desenhos originais, ou seja, sem serem cópias de azulejos que já vi", explica.

Esta nova expressão de arte urbana, que nasce por acaso, foi-se espalhando por vários locais do país. Tiago Tejo, 26 anos, gosta sobretudo de colocar pixelejos nas caixas cinzentas de electricidade.

Imprime o seu trabalho em folhas de papel e cola-as nas caixas porque “não gosto de ver sempre as mesmas coisas. É por isso que gosto muito de colar pixelejos nas caixas da electricidade porque são elementos que estão sempre ali, iguais”.

As sardinhas “vestidas” com os pixelejos de Tiago Tejo.
As sardinhas “vestidas” com os pixelejos de Tiago Tejo.
O Pixelejo foi ganhando visibilidade e, em Maio de 2012, Tiago mostrou o seu trabalho em Toulouse, França. Da impressão no simples papel, o pixelejo ganhou novas aplicações, como em lona com a qual se fizeram sardinhas gigantes. Nesta exposição, Tiago fez também pixelejos com Lego, onde cada peça representava um píxel.

As ideias são muitas, mas o jovem tem claro que o Pixelejo não será a sua “actividade principal”, apesar de ter “condições para ser financeiramente viável. Já houve pessoas que me contactaram para fazer trabalhos e perguntam porque não coloco pixelejos em almofadas e cadernos e assim”.

No entanto, adianta, estas ideias “implicam um comprometimento com coisas que não estou interessado. Não quero estar pendente de financiamentos, de burocracias. Não quero estar preocupado com se há ou não dinheiro para os projectos e qual a melhor forma de vender”.

Para Tiago, Pixelejo é “um campo de experimentação, de colocação de questões, serve para arejar as ideias e ter outros contactos”, conclui.

domingo, 13 de janeiro de 2013

DOENÇA AUTOIMUNE

DOENÇA AUTOIMUNE

Autor do texto: Pedro Pinheiro - 29 de novembro de 2012 | 23:37





As doenças autoimunes são um grupo de doenças distintas que têm como origem o fato do sistema imunológico passar a produzir anticorpos contra componentes do nosso próprio organismo. Por motivos variados e nem sempre esclarecidos, o nosso corpo começa a confundir suas próprias proteínas com agentes invasores, passando a atacá-las.

Portanto, uma doença autoimune é uma doença causada pelo nosso sistema imunológico, que passa a funcionar de forma inapropriada.

Neste texto vamos abordar os seguintes pontos sobre as doenças autoimunes:
  • O que é o sistema imunológico.
  • O que uma doença autoimune.
  • Quais são as doenças autoimunes mais comuns.
  • Sintomas de doença autoimune.
  • O que causa uma doença autoimune.
  • Tratamento das doenças autoimunes.
Uma rápida explicação sobre o sistema imunológico 

Para entender o que é uma reação autoimune é preciso antes conhecer um pouco do nosso sistema imunológico. Tentarei ser breve e sucinto nesta explicação, até porque este assunto é extremamente complexo e extenso, o que o torna de muito difícil entendimento para a população leiga.

Nosso organismo possui um complexo sistema de defesa contra invasões de agentes externos, sejam estes bactérias, vírus, fungos, parasitas, proteínas ou qualquer outro ser ou substância que não seja natural do corpo. Este sistema de defesa é chamado de sistema imunológico.

O processo evolutivo criou um mecanismo de defesa que é capaz de reconhecer praticamente qualquer tipo de invasão ou agressão ao nosso corpo. A complexidade do sistema está exatamente em conseguir distinguir entre:

1. o que é danoso ao organismo, como vírus e bactérias;
2. o que faz parte do nosso próprio corpo, como células, tecidos e órgãos;
3. o que não é naturalmente nosso, mas não causa danos, como, por exemplo, alimentos que entram no corpo pela boca.

Toda vez que o sistema imunológico se depara com alguma substância estranha, que ele interprete como potencialmente danosa, ele passa a produzir células de defesa e anticorpos para combatê-la. Toda substância estranha capaz de desencadear uma resposta imunológica é chamada de antígeno.

Durante a nossa formação enquanto feto, nosso organismo começa a criar o sistema imunológico. O primeiro trabalho é reconhecer tudo o que é próprio, para mais tarde poder reconhecer o que é estranho.

Anticorpo
O útero materno é um ambiente estéril, ou seja, livre de agentes infecciosos. Assim que nascemos somos imediatamente expostos a um "mundo hostil" com uma enormidade de antígenos. Desde o parto, o corpo começa a reconhecer, catalogar e atacar tudo que não é "original de fábrica". Esse contato com antígenos nos primeiros anos de vida é importante para a formação de uma "biblioteca de anticorpos".

O corpo consegue montar uma resposta imune muito mais rápida se já houver dados sobre o invasor. Se o antígeno for completamente novo, é necessário algum tempo até que o organismo descubra quais os anticorpos são mais indicados para combater aquele tipo de partícula. Essa é a lógica por trás das vacinas. Expomos o paciente a um antígeno, seja ele um vírus ou bactéria, mortos ou fracos, de forma a estimular o sistema imunológico a criar anticorpos contra esses germes. Quando a bactéria de verdade nos invadir, já temos pronto um arsenal imunológico para eliminá-la rapidamente, antes que a mesma consiga provocar qualquer doença.

O que é uma doença autoimune?

A doença autoimune ocorre quando o sistema de defesa perde a capacidade de reconhecer o que é "original de fábrica", levando à produção de anticorpos contra células, tecidos ou órgãos do próprio corpo. 

Exemplo 1: no diabetes tipo 1 ocorre uma produção inapropriada de anticorpos contra as células do pâncreas que produzem insulina, levando a sua destruição e ao aparecimento do diabetes.

Exemplo 2:  na esclerose múltipla, o sistema imunológico começa a produzir anticorpos contra componentes dos neurônios, causando destruição dos mesmos e graves problemas neurológicos.

Exemplo 3: na tireoidite de Hashimoto, o corpo passa a produzir anticorpos contra a nossa própria glândula tireoide, destruindo-a, levando o paciente a desenvolver hipotireoidismo. 

Existem dezenas de doenças autoimunes, algumas delas já foram abordadas em artigos específicos aqui no MD.Saúde, como:

- Diabetes tipo 1 (leia: DIABETES MELLITUS | Diagnóstico e sintomas).
- Lúpus (leia: LÚPUS ERITEMATOSO SISTÊMICO | Sintomas, diagnóstico e tratamento).
- Artrite reumatoide (leia: ARTRITE REUMATOIDE).
- Doença de Crohn (leia: DOENÇA DE CROHN | RETOCOLITE ULCERATIVA | Sintomas e tratamento).
- Esclerose múltipla (leia: SINTOMAS DA ESCLEROSE MÚLTIPLA).
- Vitiligo (leia: VITILIGO | Causas e tratamento).
- Tireoidite de Hashimoto (leia: HIPOTIREOIDISMO (TIREOIDITE DE HASHIMOTO)).
- Doença de Graves (leia: HIPERTIREOIDISMO E DOENÇA DE GRAVES).
- Psoríase (leia: PSORÍASE | Tipos e sintomas).
- Púrpura trombocitopênica idiopática (leia:  PÚRPURA TROMBOCITOPÊNICA IDIOPÁTICA (PTI)).
- Hepatite autoimune (leia:HEPATITE | Tipos, causas e sintomas).
- Síndrome de Guillain-Barré (leia: O QUE É A SÍNDROME DE GUILLAIN-BARRÉ ? ).
- Granulomatose de Wegener (leia: GRANULOMATOSE DE WEGENER).
- Vasculites (leia: VASCULITE | Causas e sintomas).

A lista de doenças autoimunes é bem extensa, podemos citar também:

- Doença de Behçet.
- Esclerodermia
- Anemia hemolítica autoimune.
- Miastenia gravis.
- Cirrose biliar primária.
- Doença celíaca.
- Espondilite anquilosante.

A gravidade de uma doença autoimune depende dos órgãos afetados. Por exemplo, a tireoidite de Hashimoto é uma doença praticamente restrita à glândula tireoide, que é um órgão importante, mas não é vital. Os pacientes com essa doença autoimune conseguem levar uma vida normal apenas tomando um comprimido por dia de hormônio tireoidiano. Outras doenças autoimune, porém, são mais graves, principalmente aquelas que atacam órgãos e estruturas nobres do corpo, como o sistema nervoso central, coração, pulmões e/ou os vasos sanguíneos.

Sintomas de doença autoimune 

Apesar dos pacientes com doenças autoimunes poderem apresentar alguns sinais e sintomas inespecíficos, como cansaço, febre baixa, desânimo, emagrecimento e mal estar geral, a verdade é que o quadro clínico de cada doença autoimune é muito diferente. Doenças como, por exemplo, lúpus, diabetes tipo 1 e psoríase atacam órgãos diferentes, de formas distintas, e, por isso, apresentam sinais e sintomas próprios. Elas são doenças tão diferentes que são tratadas por especialistas distintos, como endocrinologista, reumatologista e dermatologista, respectivamente. A única semelhança entre elas é o fato de terem uma origem autoimune.

Não existe, portanto, um sintoma  que seja específico de doença autoimune. Cada doença autoimune tem seu próprio quadro clínico.

O diagnóstico das patologias autoimunes é habitualmente feito baseado no quadro clínico e na pesquisa de auto-anticorpos no sangue. O auto-anticorpo mais comum  é o FAN (ANA) (leia: EXAME FAN (FATOR ANTINUCLEAR)), que pode estar positivo em várias, mas não todas, as doenças autoimunes.

O que causa uma doença autoimune?

Não sabemos exatamente por que as doenças autoimunes surgem. A teoria mais aceita atualmente é de que o sistema imunológico, após ser exposto a um antígeno, escolhe como alvo para a produção de anticorpos uma proteína semelhante a outra já existente em nosso organismo. Por exemplo, sabemos que pacientes com a síndrome de Guillain-Barré frequentemente apresentam um quadro de diarreia infecciosa causada pela bactéria Campylobacter jejuni semanas antes da doença se manifestar. Imagina-se que o sistema imunológico possa criar anticorpos contra algumas das proteínas da bactérias que sejam parecidas com proteínas existente nos nossos neurônios. Esta semelhança pode confundir os anticorpos, fazendo com que os mesmos ataquem estruturas do sistema nervoso achando que estão atacando a bactéria Campylobacter jejuni.

Tratamento das doenças autoimunes

O tratamento da maioria das doenças autoimunes consiste na inibição do sistema imunológico através de drogas imunossupressoras, como corticoides (leia: INDICAÇÕES E EFEITOS DA PREDNISONA E CORTICOIDES), ciclofosfamida, ciclosporina, micofenolato mofetil, rituximab, azatioprina, etc.

O problema do tratamento das doenças autoimunes com drogas imunossupressoras é o fato de não conseguimos realizar uma imunossupressão seletiva aos anticorpos indesejáveis. Ou seja, não conseguimos inibir o funcionamento apenas dos anticorpos danosos e acabamos por criar um estado de imunossupressão geral que predispõe esses pacientes a infecções por bactérias, vírus e fungos.

Geralmente cada doença autoimune tem seu esquema próprio de tratamento. Algumas delas, inclusive, como diabetes tipo 1 e tireoidite de Hashimoto, não são nem tratadas com drogas imunossupressoras. Não existe um tratamento único que sirva para qualquer doença autoimune. 


Leia o texto original no site MD.Saúde: DOENÇA AUTOIMUNE http://www.mdsaude.com/2008/10/doena-auto-imune.html#ixzz2Ht71t8B4

BOTULISMO/CAUSA E SINTOMAS

BOTULISMO | Causas e Sintomas

Autor do texto: Pedro Pinheiro - 12 de janeiro de 2013 | 11:40)





O botulismo é uma doença pouco comum, potencialmente fatal, resultante da ação de uma neurotoxina (toxina que ataca os neurônios) elaborada pela bactéria Clostridium botulinum. A neurotoxina botulínica é um dos venenos mais letais que conhecemos.

Neste artigo vamos abordar os seguintes pontos sobre o botulismo e a toxina botulínica:
  • O que é o botulismo.
  • Bactéria do botulismo.
  • Toxina botulínica.
  • Transmissão do botulismo.
  • Sintomas do botulismo.
  • Diagnóstico do botulismo.
  • Tratamento do botulismo.

O que é botulismo


O botulismo é uma doença infecciosa, porém não contagiosa (não é transmissível entre pessoas), causada pela ação de toxinas produzidas pela bactéria Clostridium botulinum.

O botulismo é uma doença rara, mas que pode ocorrer em qualquer parte do mundo. Apesar de ser pouco comum, é uma doença importante, pois os pacientes contaminados apresentam elevada mortalidade e precisam iniciar tratamento rapidamente . O botulismo é, portanto, uma emergência médica.

A doença não é provocada diretamente pela bactéria, mas sim pelas neurotoxinas por ela produzidas. O botulismo é uma doença de instalação súbita, com acometimento predominantemente neurológico, caracterizada por paralisia motora progressiva. O principal modo de transmissão é através de alimentos mal conservados (explicaremos adiante).

O botulismo é doença de notificação compulsória. Entre 1999 a 2011 foram registrados 68 casos no Brasil, com 20 óbitos, uma mortalidade próxima de 30%. Dados ainda não definitivos de 2012 indicam mais 4 casos de botulismo e duas mortes durante o ano.

Botulismo no Brasil

Devido à gravidade da doença e à possibilidade da ocorrência de múltiplos casos resultantes da ingestão de uma mesma fonte de alimentos contaminados, basta a notificação de um único caso para que seja considerada a existência de um surto de botulismo. 

Bactéria do botulismo - Clostridium botulinum


O Clostridium é um gênero de bactérias anaeróbicas (que não precisam de oxigênio para viver) em forma de bastonete, cuja algumas espécies podem causar doenças, como nos casos:

Clostridium tetani - causadora do tétano (leia: TÉTANO | Vacina e sintomas).
Clostridium botulinum - causadora do botulismo.
Clostridium perfringens - causadora da gangrena gasosa.
Clostridium difficile - causadora da colite pseudomembranosa.

O Clostridium botulinum é uma bactéria que pode estar presente em qualquer local, mas é mais facilmente encontrada no solo, em sedimentos de lagos e mares, nos intestinos de peixes e crustáceos, produtos agrícolas, mel ou nas superfícies de vegetais, frutas e outros alimentos. 

O Clostridium botulinum se encontra no ambiente sob a forma de esporos, que são muito resistentes ao calor, podendo sobreviver até temperaturas de 100ºC durante cinco ou mais horas. Os esporos só são destruídos por aquecimentos acima de 120ºC, por pelo menos 15 minutos. Quando condições ambientais adequadas estão presentes, os esporos conseguem germinar e evoluir para a foma vegetativa, que é a forma ativa da bactéria, capaz de multiplicar-se e produzir toxinas. As melhores condições para sobrevivência do Clostridium botulinum são:

- Pouca exposição ao oxigênio.
- Locais de baixa acidez.
- Temperatura entre 25 e 37ºC. No entanto, algumas cepas podem crescer em temperaturas tão baixas quanto 4°C.

Alguns alimentos, principalmente aqueles em conserva, se não forem adequadamente manipulados e estocados, podem se transformar em um excelente meio para a proliferação do Clostridium botulinum.

Algumas cepas desta bactéria produzem enzimas que desnaturam e "estragam" os alimentos por elas habitadas, deixando-os com cheiro e aparência desagradáveis. Todavia, há cepas de Clostridium botulinum que podem colonizar alimentos sem provocar grandes alterações no seu aspecto, sendo difícil suspeitar que estejam contaminados.

Toxina botulínica


O Clostridium é uma bactéria que provoca doença através da produção de toxinas. No caso do Clostridium botulinum, a toxina é uma neurotoxina que ataca os nervos periféricos, impedindo o funcionamento normal dos mesmos.

A neurotoxina botulínica produzida pelo Clostridium botulinum é um dos venenos mais potentes que conhecemos. Apenas como comparação, para que o cianureto seja letal em ratos é preciso uma dose 10000 microgramas por quilo. Já a toxina botulínica é capaz de matar com apenas 0,0003 microgramas por quilo.

São conhecidos oito tipos de toxinas botulínicas: A, B, C1, C2, D, E, F e G, das quais as do tipo A, B e E são as mais tóxicas para os seres humanos. As formas F e G também podem provocar doença, mas é raro.

A toxina botulínica não tem cheiro nem sabor, não sendo possível saber de antemão se o alimento ingerido está ou não contaminado. As toxinas se ingeridas causam doença porque conseguem resistir ao ácido do estômago e às enzimas naturais do processo digestivo. Porém, ao contrário da bactéria, que consegue resistir a altas temperaturas sob a forma de esporos, a toxina costuma ser inativada quando exposta a temperaturas maiores que 80ºC por pelo menos 10 minutos.

A toxina absorvida no trato gastrintestinal alcança a circulação sanguínea e viaja até os nervos, onde ela age bloqueando a ação de neurotransmissores responsáveis pelos movimentos musculares, resultando em paralisia flácida dos músculos.

A toxina botulínica passou a ser usada na medicina para pacientes cuja a paralisação controlada de alguns músculos mostrava-se benéfica. Porém, para ser administrada de modo seguro, foi preciso primeiro isolar e purificar a toxina para que esta pudesse ser sintetizada. Surgiu então o Botox®, a forma farmacêutica da toxina botulínica A. 

Para saber mais sobre o Botox® e seus usos na medicina e na estética, leia: BOTOX | Aplicações e complicações.

Transmissão do botulismo


Existem basicamente três formas de se adquirir o botulismo: botulismo alimentar, botulismo por ferimentos, botulismo intestinal (também chamado de botulismo infantil)

Botulismo por ferimentos
Esta forma de transmissão ocorre pela contaminação de feridas com o Clostridium botulinum proveniente do ambiente, geralmente do solo. As principais portas de entrada são úlceras dos membros, lesões traumáticas ou mesmo feridas cirúrgicas. O botulismo também pode ser transmitido através do uso de drogas injetáveis, como heroína, ou drogas aspiráveis, como cocaína (leia: COCAÍNA | CRACK | Efeitos e complicações).

Botulismo alimentar
Palmito em conserva - Fonte potencial de botulismo.
Palmito em conserva
Ocorre quando o paciente ingere alimentos contaminados com a toxina botulínica. Esta contaminação ocorre geralmente com alimentos conservados de maneira inadequada. Os mais envolvidos são: conservas vegetais artesanais, como palmito e picles; produtos de carne cozidos, curados e defumados de forma artesanal, como salsicha, presunto e carne de lata; pescados defumados, salgados e fermentados; queijos e mel artesanal. O botulismo também pode ocorrer em alimentos enlatados industrializados.

Botulismo intestinal (botulismo infantil)
Ocorre geralmente em crianças com idade entre 1 semana e 1 ano (maioria dos casos entre 3 e 26 semanas) e resulta da ingestão dos esporos de Clostridium botulinum presentes nos alimentos ou solo. 

Esta forma é comum no mel, que é um alimento que frequentemente está contaminado com o Clostridium botulinum. Porém, a grande quantidade de açúcar do mel impede a transformação dos esporos para a sua forma vegetativa, não havendo, portanto, produção de toxinas. Após a ingestão, ao chegarem aos intestinos, os esporos encontram um meio mais propício para ficarem ativos, passando a se multiplicar e a produzir toxinas. 

Crianças pequenas ainda não possuem um flora de bactérias no intestino capaz de protegê-las contra a invasão do Clostridium botulinum, permitindo que o mesmo se estabeleça facilmente e passe a produzir toxinas diretamente dentro do intestino. 

Esta forma não costuma acometer adultos saudáveis, pois os esporos não conseguem se fixar aos intestinos. Todavia, adultos com doenças dos intestinos também podem adquirir este tipo de botulismo. Os fatores de risco costumam ser: cirurgias intestinais, doença de Crohn (leia: DOENÇA DE CROHN | RETOCOLITE ULCERATIVA) ou uso de antibióticos por tempo prolongado, o que provoca eliminação da flora intestinal natural.

Sintomas do botulismo


O período de incubação do botulismo varia de acordo com a forma de transmissão. No botulismo alimentar, como as enzimas já estão prontas nos alimentos, o período de incubação costuma ser curto, na maioria dos casos entre 12 e 36 horas, mas pode variar entre 2h até 10 dias, dependendo da quantidade de toxinas presentes. Já no botulismo por ferimentos, o tempo médio de incubação é de 7 dias, podendo variar entre 4 a 21 dias. No botulismo infantil não temos informações precisas sobre o período de incubação, pois é muitas vezes difícil identificar quando os esporos foram ingeridos. Em geral, este período é mais longo que na forma alimentar, já que os esporos ingeridos precisam primeiro se fixar ao intestino, para depois passarem para forma vegetativa e, somente então, começarem a produção de neurotoxinas.

a. Sintomas do botulismo alimentar

O botulismo é uma doença de início súbito e progressivo, caracterizado por sintomas gastrointestinais e neurológicos. 

As manifestações gastrintestinais costumam ocorrer no início do quadro, mas isso não é obrigatório. Os sintomas mais comuns são: náuseas, vômitos, diarreia e dor abdominal. 

As manifestações neurológicas costumam ser as mais importantes, caracterizadas por uma paralisia muscular que atinge inicialmente os nervos cranianos e vai descendo para o resto do corpo. O quadro é bem parecido com a síndrome de Guillain Barré, a diferença é que o botulismo começa na cabeça e progride de forma descendente, enquanto que no GB a paralisia muscular começa nas pernas e vai subindo (leia: SÍNDROME DE GUILLAIN-BARRÉ | Sintomas e tratamento).

Os sintomas neurológicos do botulismo costumam se iniciar com visão borrada ou visão dupla, paralisia das pálpebras, dilatação das pupilas e limitação dos movimentos dos olhos. 

A partir dos olhos, a doença começa a atingir também o resto da cabeça, comprometendo a fala, a mastigação, a capacidade de engolir e os movimentos da língua. O próximo passo é o acometimentos dos músculos do pescoço, impedindo o paciente de sustentar o peso da cabeça.

Quando chega ao tronco, a paralisia pode comprometer o funcionamento dos músculos do diafragma, responsáveis pela respiração, levando o paciente à insuficiência respiratória aguda e necessidade de ventilação mecânica (respirador artificial). 

Junto com o tronco, a paralisia costuma acometer também os braços e depois o abdômen e membros inferiores, levando o paciente a uma tetraplegia flácida (paralisia flácida dos 4 membros). Boca seca, paralisia dos intestinos, hipotensão e retenção urinária também são sintomas comuns.

Como a neurotoxina ataca somente os nervos musculares, não há comprometimento da sensibilidade, isto é, o paciente sente tudo, ele apenas não consegue mover os músculos. Também não há cegueira e o indivíduo permanece consciente o tempo inteiro.

Os sintomas do botulismo costumam progredir durante uma ou duas semanas, estabilizando-se por mais 2 semanas antes de iniciar uma lenta fase de recuperação, que costuma durar até 3 meses. Nos casos mais graves, a recuperação completa pode levar até um ano.

A gravidade do quadro depende da quantidade e do tipo de toxina ingerida (A e B costumam ser as mais agressivas). A gravidade do botulismo pode variar desde um quadro leve, com sintomas intestinais e apenas mínimo acometimento dos nervos cranianos, até uma doença fulminante, com óbito em apenas 24 horas. A paralisia respiratória ocorre em 30 a 50 % dos casos. As internações costumam ser de no mínimo 1 mês, porém, podem haver pacientes que precisem ficar hospitalizados por até 3 meses.

b. Sintomas do botulismo por ferimento 

O quadro clínico do botulismo por ferimentos é praticamente igual ao botulismo alimentar, exceto pelo período de incubação mais longo e ausência de sintomas gastrointestinais. A febre pode ocorrer também, mas ela costuma ser devido à infecção da ferida e não pela ação direta das toxinas.

c. Sintomas do botulismo infantil (botulismo intestinal) 

O botulismo infantil ataca preferencialmente os bebês e manifesta-se geralmente com constipação e irritabilidade, que evoluem para sinais neurológicos, como dificuldade de controlar os movimentos da cabeça, sucção fraca, engasgos, choro fraco, prostração e paralisias bilaterais descendentes, que podem provocar paradas respiratórias.

A gravidade do botulismo infantil também é variável, podendo haver casos leves caracterizados apenas por dificuldade alimentar e discreta fraqueza muscular, até casos graves com morte súbita da criança.

Diagnóstico do botulismo


O diagnóstico do botulismo é habitualmente feito com isolamento das toxinas nas fezes ou no sangue. A pesquisa da própria bactéria Clostridium botulinum nas fezes também é possível. Nos casos de botulismo por ferimentos, não adianta examinar as fezes, é preciso procurar pela bactéria da ferida ou no sangue.

Quanto mais precoce for a coleta de material, maior será a chance de encontrar toxinas ou bactérias presentes.

Por questões de saúde pública é importante também pesquisar pela toxina ou esporos em alimentos recententemente ingeridos pelo paciente, princialmente os de maior risco, como mel, alimentos em conserva, peixes em lata mal conservados, etc. No últimos anos, em todo mundo, houve casos relatados de botulismo provocados por queijos, sardinha enlatada, pimenta, palmito em conserva, mortadela, tofu, produtos suínos, azeitonas em conserva e jiló.

Tratamento do botulismo


Todo paciente com suspeita de botulismo deve ser imediatamente internado para acompanhamento da função respiratória.

Existe um antídoto para a toxina botulínica, chamado soro antibotulínico (SAB). Este tratamento, porém, só atua contra a toxina circulante no sangue, ou seja, contra aquelas que ainda não se fixaram aos nervos. Portanto, quanto mais precocemente o soro antibotulínico for iniciado, maior será a sua eficácia. Antibióticos, como a penicilina, podem ser usados nos casos de botulismo por feridas, ajudando a eliminar qualquer bactéria que esteja se reproduzindo dentro das lesões. Nos pacientes alérgicos à penicilina, o Metronidazol é uma opção (leia: ALERGIA À PENICILINA).

Em geral, a maioria dos pacientes que recebem atendimento médico e cuidados respiratórios precoces apresentam uma recuperação completa ou quase completa, podendo voltar a exercer qualquer tipo de atividade. Por outro lado, os pacientes com doença grave e/ou demora no início do tratamento poderão permanecer com sequelas.

O botulismo não fornece imunização permanente. Uma mesma pessoa pode ter botulismo mais de uma vez na vida.


Leia o texto original no site MD.Saúde: BOTULISMO | Causas e Sintomas http://www.mdsaude.com/2013/01/botulismo.html#ixzz2Ht1UxX8N

sexta-feira, 11 de janeiro de 2013


O FÍGADO | Principais funções

Autor do texto: Pedro Pinheiro - 9 de janeiro de 2013 | 00:47


O fígado é um órgão vital, sem o qual não é possível sobreviver. Além de ser o maior órgão sólido e a maior glândula do corpo, o fígado também é responsável por centenas de funções no nosso organismo.

Neste artigo iremos abordar as principais características do fígado, dando ênfase às principais funções deste órgão. Se você está à procura de informações sobre sintomas de problemas no fígado, leia: 12 SINTOMAS DO FÍGADO.

O que é o fígado?

O fígado é um grande órgão maciço, com aproximadamente 20 cm de diâmetro, 17 cm de altura e peso médio de 1.4 quilo, localizado no quadrante superior direito da cavidade abdominal, logo abaixo do diafragma.

Localização do Fígado
O suprimento sanguíneo do fígado é feito por duas vias, pela artéria hepática (20-40%) e pela veia porta (60-80%). O fígado é um órgão tão vascularizado que chega a receber 1.5 litro de sangue por minuto.

Uma das mais interessantes caraterísticas do fígado é a sua incrível capacidade de se regenerar, sendo ele capaz de retornar ao tamanho normal mesmo após ter mais de 50% do seu volume retirado cirurgicamente.

O fígado é uma complexa fábrica orgânica, com centenas de funções, entre as mais importantes, remover toxinas do sangue e processar alimentos vindos dos intestinos.

Funções do fígado


As células do fígado, chamadas hepatócitos, contêm milhares de enzimas que são responsáveis pela metabolização das substâncias presentes no sangue, sejam elas benéficas ou prejudiciais ao nosso organismo. O fígado também é capaz de armazenar nutrientes e outras substâncias úteis, além de produzir proteínas e vitaminas essenciais para nossa saúde.

A ciência já conhece mais de 500 funções do fígado, vamos falar resumidamente das principias:

1- Metabolização dos nutrientes digeridos

O processo de digestão consiste na quebra dos nutrientes em moléculas cada vez menores, até o ponto delas poderem ser absorvidas pela mucosa dos intestinos e depois lançadas na circulação sanguínea.

Figado e veia portaToda a circulação sanguínea do trato digestivo drena em direção à veia porta, de forma que nenhum nutriente ou substância ingerida consiga chegar ao resto do organismo sem antes passar pelo fígado.

Este processo é de suma importância, pois é o fígado quem controla quanto, qual, em que forma cada substância originada da alimentação passará para o resto do corpo. Exemplos:

a. Gorduras

O processo de digestão quebras as gorduras em moléculas pequenas, chamadas ácidos graxos e glicerol. São estas as moléculas absorvidas pelos intestinos e lançadas em direção à veia porta. No fígado essa gordura é transformada em diversas substâncias, como fosfolipídios ou colesterol, que são essenciais na produção de nossas células.

O fígado também usa as gorduras para sintetizar lipoproteínas, como o HDL, VLDL, e LDL, que são as moléculas responsáveis pelo transporte de colesterol pelo sangue (leia: COLESTEROL HDL | COLESTEROL LDL | TRIGLICERÍDEOS).

O fígado também é quem determina se a gordura ingerida será usada para gerar energia ou será armazenada. Se o indivíduo consome gorduras em excesso, o fígado transforma o glicerol e o ácido graxo em triglicerídeos, armazenando-os no tecido subcutâneo, criando camadas de tecido adiposo (os famosos pneuzinhos). De forma oposta, se o corpo precisar de fontes extras de energia, o tecido adiposo quebra os triglicerídeos novamente em glicerol e o ácido graxo, enviando-os de volta para o fígado para que eles possam ficar disponíveis como fonte de energia para as células (leia: O QUE SÃO OS TRIGLICERÍDEOS?).

b. Proteínas

O processo de digestão quebra as proteínas ingeridas em moléculas chamadas aminoácidos. O fígado é o órgão que decide o destino destes aminoácidos, podendo utilizá-los como:

- fonte para produção de proteínas essenciais para o organismo, como albumina, globulinas, lipoproteínas, fatores da coagulação, etc;
- fonte para formação de massa muscular;
- fonte para produção de gordura, pois, caso necessário, o fígado consegue transformar aminoácidos em triglicerídeos, num processo chamado lipogênese;
- fonte para produção de glicose, em um processo chamado gliconeogênese.

Pacientes com doenças graves do fígado apresentam níveis baixos de proteínas no sangue, principalmente albumina. A perda de massa muscular também é comum devido à perda de capacidade de lidar com os aminoácidos recebidos da alimentação. A deficiência de fatores da coagulação faz com que estes pacientes apresentem maior risco de sangramentos.

A digestão das proteínas produz aminoácidos, mas também gera a amônia, uma substância tóxica para o organismo. O fígado é o responsável pela metabolização da amônia, transformando-a em ureia, uma substância infinitamente menos tóxica. Pacientes com cirrose e falência hepática perdem a capacidade de metabolizar a amônia, fazendo com que a mesma se acumule no corpo, levando à chamada encefalopatia hepática, um processo de intoxicação dos neurônios.

c. Glicose

Os carboidratos ingeridos são transformados em moléculas de glicose, que é a principal fonte de energia das células. Quando chega uma grande quantidade de glicose ao fígado, ele libera uma parte em direção à circulação sanguínea e armazena outra sob a forma de glicogênio, para que esta possa ser usada como fonte de energia nos períodos de jejum ou atividade física. Se o fígado já está cheio de glicogênio, mas o indivíduo continua ingerindo carboidratos em excesso, o mesmo passa a ser transformado em triglicerídeos (lipogênese), sendo enviado para os tecidos subcutâneos. É por isso que comer muito carboidrato engorda.

Pacientes com grave doença hepática podem apresentar hipoglicemias, pois o fígado já não consegue armazenar glicose na forma de glicogênio, fazendo com que o paciente não tenha reservas de glicose facilmente disponíveis nos períodos de jejum.

2- Metabolização de substâncias tóxicas

Assim como os nutrientes, qualquer outra substância ingerida também passará pelo fígado antes de chegar ao resto do organismo, incluindo remédios, drogas, toxinas ambientais e álcool.

Os hepatócitos são ricos em citocromo P450, o nome dado a uma família de enzimas que têm a capacidade de metabolizar, inativar e facilitar a eliminação pelos rins de diversas substâncias.

O exemplo mais famoso do processo de desintoxicação realizado pelo fígado é a metabolização de bebidas alcoólicas. O álcool é uma substância extremamente tóxica,  mas que até certo ponto pode ser consumida, pois o fígado tem a capacidade de transformá-lo em ácido acético, uma metabólito muito menos tóxico e facilmente eliminado pelos rins através da urina. Se você quiser informações mais detalhadas sobre esse processo de metabolização do álcool pelo fígado, leia: O QUE É A RESSACA?

O fígado também é capaz de desativar substâncias produzidas pelo próprio corpo, como hormônios, impedindo que haja excesso dos mesmos circulando pelo sangue.

Pacientes com doenças hepática devem evitar álcool e determinados medicamentos, pois o fígado já não será mais capaz de metabolizá-los adequadamente.

3- Produção de bile

Nossas hemácias (glóbulos vermelhos) são células que têm uma vida média de 120 dias. Quando ficam velhas, elas são levadas para o baço, onde são destruídas. Um dos produtos liberados neste processo é a bilirrubina, um pigmento amarelo-esverdeado. A bilirrubina produzida no baço não é solúvel em água e, portanto, não pode ser eliminada pelos rins, cabendo ao fígado este papel.

A bilirrubina é metabolizada no fígado e acrescentada a bile, uma substância que auxilia na digestão de gorduras. A bile produzida pelo fígado é parte armazenada na vesícula biliar e parte liberada no intestino, para facilitar o processo de digestão. A presença da bilirrubina na bile é a responsável pela cor marrom das fezes. Pacientes com doenças no fígado ou nas vias biliares que impeçam a drenagem de bile para os intestinos apresentam problemas de digestão de gorduras e fezes esbranquiçadas.

Se o fígado perder a capacidade de metabolizar e excretar a bilirrubina, a mesma se acumula no sangue e acaba se depositando na pele, tornando-a amarelada, um sinal que chamamos de icterícia (leia: ICTERÍCIA | Neonatal e adulto).

4- Produção de substâncias essenciais ao organismo

Além da produção de proteínas importantes, como albumina e fatores da coagulação, já explicados acima, o fígado também é capaz de produzir, metabolizar e armazenar uma grande diversidade de outras substâncias, como vitaminas e ferro.

5- Destruição de bactérias e outros germes.

O fígado possui células de defesas, chamadas células de Kupffer, capazes de eliminar germes e fragmentos de células mortas que passem pelo fígado.

Se você quiser ler sobre as principais doenças do fígado, acesse nossos artigos sobre doenças hepáticas:

- O QUE É HEPATITE?
- HEPATITE A
- HEPATITE B
- HEPATITE C
- ESTEATOSE HEPÁTICA | Gordura no fígado
- CIRROSE HEPÁTICA | Sintomas e causas
- SÍNDROME DE GILBERT, CRIGLER-NAJJAR e DUBIN-JOHNSON
- SINTOMAS DA HEPATITE
- O QUE SIGNIFICAM TGO, TGP, GAMA GT e BILIRRUBINA?
- ASCITE | Causas e tratamento


Leia o texto original no site MD.Saúde: O FÍGADO | Principais funções http://www.mdsaude.com/2013/01/o-figado.html#ixzz2HhMrEnGe

terça-feira, 8 de janeiro de 2013

PARA DOAR SANGUE/NFORMAÇÕES PARA DOADORES

PARA DOAR SANGUE | informações para doadores

Autor do texto: Pedro Pinheiro - 7 de janeiro de 2013 | 00:12



Em todos os hospitais do mundo, diariamente, são realizadas transfusões sanguíneas. A transfusão de sangue é um procedimento médico realizado para salvar vidas e para tratar doentes em estado grave.

Não existe sangue artificial, nem outra substância que possa substituí-lo, portanto, para que haja transfusão, é preciso que haja doação. A doação de sangue é um ato voluntário de generosidade ainda pouco difundido na população. Estima-se que apenas 1 a cada 30 pessoas seja doadora, uma proporção muito pequena, ainda mais quando se sabe que 1 a cada 3 indivíduos, eventualmente, necessitará de uma transfusão de algum componente do sangue ao longo de sua vida.

DOAÇÃO DE SANGUE

Doar sangueO ato de doar sangue deve ser sempre voluntário, porém, nem todos os candidatos estão aptos para serem doadores, o que só aumenta a necessidade de um volume maior de candidatos.

Os requisitos básicos para doar sangue são:

- Estar bem de saúde.
- Ter mais de 18 e menos de 60 anos (acima de 60 e entre 16 e 18 anos há critérios especiais).
- Pesar mais que 50 kg.
- Homens não podem doar sangue 2 vezes em um espaço menor que 60 dias, respeitando o limite máximo de 4 doações por ano.
- Mulheres não podem doar sangue 2 vezes em um espaço menor que 90 dias, respeitando o limite máximo de 3 doações por ano. 
- Mulheres não podem estar grávidas, nem amamentando.
- Mulheres não podem ter tido um aborto ou parto há menos de 3 meses.

Se você se enquadra nestes requisitos, já pode se candidatar (ou recandidatar) à doação. Para que o procedimento não traga riscos nem ao doador, nem ao receptor do sangue, algumas outras condições devem ser respeitadas.

Portanto, não podem doar sangue:

- Diabéticos insulinodependentes (leia: DIABETES MELLITUS | DIAGNÓSTICO E SINTOMAS).
- Pessoas que têm ou tiveram sífilis (leia: SÍFILIS | SINTOMAS E TRATAMENTO).
- Pessoas que têm ou tiveram hepatite viral após os 10 anos de idade (leia: AS DIFERENÇAS ENTRE AS HEPATITES).
- Pessoas com câncer (leia: CÂNCER (CANCRO) | SINTOMAS E DEFINIÇÕES).
- Portadores do vírus HIV (leia: SINTOMAS DO HIV E AIDS (SIDA)).
- Pessoas com doença pulmonar, como DPOC (leia: DPOC | ENFISEMA E BRONQUITE CRÔNICA).
- Pessoas com insuficiência renal crônica (leia: INSUFICIÊNCIA RENAL CRÔNICA | SINTOMAS).
- Pessoas com passado de tuberculose extrapulmonar (ler: TUBERCULOSE | SINTOMAS E TRATAMENTO).
- Pessoas com antecedentes de AVC (leia: AVC | ACIDENTE VASCULAR CEREBRAL | DERRAME CEREBRAL).
- Portadores do vírus HTLV I ou HTLV II.
- Pessoas que tiveram malária ou que tenham morado em região endêmica nos últimos 6 meses.
- Pessoas com doença de Chagas ou que tenham contato com o inseto barbeiro (leia: DOENÇA DE CHAGAS).
- Portadores de doenças autoimunes (leia: DOENÇA AUTOIMUNE).
- Pessoas que sofrem de epilepsia (leia: EPILEPSIA | CRISE CONVULSIVA).
- Pessoas com doenças psiquiátricas que gerem inimputabilidade jurídica.
- Pessoas com comportamento de risco tais como não usar preservativos em relações sexuais, ter tido mais de dois parceiros sexuais nos últimos 3 meses ou ser usuário de drogas injetáveis.

ATENÇÃO: homossexualidade não é impedimento para doar sangue. Não há motivos científicos para impedir a doação sangue baseado na orientação sexual do indivíduo. Isso é lei:

PORTARIA Nº 1.353, DE 13 DE JUNHO DE 2011 - § 5º A orientação sexual (heterossexualidade, bissexualidade, homossexualidade) não deve ser usada como critério para seleção de doadores de sangue, por não constituir risco em si própria. (http://bvsms.saude.gov.br/bvs/saudelegis/gm/2011/prt1353_13_06_2011.html).

Impedimentos temporários para doação de sangue

Algumas situações impedem a doação apenas temporariamente. Neste caso, o candidato pode será orientado a retornar ao banco de sangue quando já não mais tiver nenhum tipo de impedimento. Abaixo, listo as principais situações que podem impedir a doação de sangue apenas de modo temporário.

- Estar em jejum. O doador deve se alimentar tendo apenas o cuidado para não ingerir comidas muito gordurosas dentro das 4 horas que antecedem a doação.
- Hipertensão não controlada. Para poder doar sangue é preciso que no momento da coleta a pressão arterial esteja abaixo de 180 x 100 mmHg (leia: HIPERTENSÃO (PRESSÃO ALTA) | SINTOMAS E TRATAMENTO)
- Diabetes tipo 2 descontrolado.
- Ter sido tatuado ou colocado piercing há menos de 1 ano (leia: BODY PIERCING | PERIGOS E COMPLICAÇÕES).
- Nova tatuagem há menos de 1 ano.
- Ter realizado sessão de acupuntura sem material descartável há pelo menos 1 ano.
- Atraso menstrual em mulheres em idade fértil.
- Diarreia na última semana.
- Resfriado: somente após estar 1 semana sem sintomas.
- Tuberculose pulmonar nos últimos 5 anos.
- Dengue no último mês (leia: DENGUE | MOSQUITO DA DENGUE | Sintomas e tratamento)
- Ter ingerido bebida alcoólica até 24 horas antes da doação.
- Não ter dormido por pelo menos 6 horas na noite anterior a doação.
- Ter recebido transfusão de sangue há menos de 1 ano.
- Pessoas com doença febril não devem se candidatar a doação de sangue até estarem clinicamente curadas (leia: O QUE SIGNIFICA E POR QUE TEMOS FEBRE ?)
- 90 dias após parto normal e 180 dias após parto cesariano.

Vacinação e doação de sangue (leia: VACINAS - Calendário de vacinação, efeitos colaterais)

Uma das dívidas que surgem mais frequentemente é em relação a vacinações antes da doação. 

a) Vacinas com vírus ou bactérias vivos atenuados

- Pólio Oral (Sabin), Febre Tifoide Oral, Sarampo, Caxumba (Parotidite), Febre amarela, BCG = Intervalo mínimo de 3 semanas para doação de sangue
- Rubéola, Varicela (Catapora), Varíola = Intervalo mínimo de 4 semanas para doação de sangue

b) Vacinas com  vírus ou bactérias mortas ou com toxoides

- Cólera, Pólio (Salk), Difteria, Tétano, Coqueluche, Meningite, Hepatite A, Pneumococo, Febre Tifoide (Injetável), Leptospirose, Brucelose, Peste = Intervalo mínimo de 48 horas para doação de sangue
- Haemophilus influenzae, Hepatite B recombinante, Influenza (gripe) = Intervalo mínimo de 4 semanas para doação de sangue

- Vacinação contra raiva humana após exposição a animal suspeito = Intervalo mínimo de 1 ano para doação de sangue (leia: RAIVA HUMANA | Transmissão, sintomas e vacina)

Cirurgias e tempo de intervalo para doação de sangue

- Extração dentária = 72 horas
- Cirurgias de pequeno porte como para apendicite (leia: APENDICITE | Sintomas e causas), correções de hérnias, retirada das amígdalas (leia: DOR DE GARGANTA | FARINGITE | AMIGDALITE), cirurgia de varizes, etc. = 3 meses
- Cirurgias de médio e grande porte como colecistectomia (retirada da vesícula), nefrectomia (retirada de um rim), histerectomia (retirada do útero), nódulo de mama, ressecção de aneurismas, politraumatismos, etc. = 6 meses a 1 ano
- Cirurgia cardíaca, pneumectomia (retirada de um pulmão), gastrectomia (retirada do estômago), esplenectomia (retirada do baço) = inaptidão definitiva.

Esses intervalos podem mudar de acordo com a avaliação feita pelo banco de sangue.

Quais remédios contraindicam a doação de sangue?

Na maioria dos casos, estar tomando remédios não contraindica a doação, uma vez que concentração da droga por unidade de sangue costuma ser baixa. Muitas vezes o que contraindica a doação é a doença que está sendo tratada e não o próprio medicamento. Por exemplo, pessoas tomando antibióticos não devem doar sangue por causa da infecção que está ativa e não somente pelo fato de haver antibiótico circulante no sangue.

Existem, porém, algumas poucas drogas que são contraindicadas para doação de sangue por causarem má formações em fetos mesmo quando em concentrações muito pequenas no sangue, o que é preocupante para grávidas que possam vir a precisar de transfusão sanguínea.
  •  Isotrentinoína (Roacutan®) usada para o tratamento da acne (leia: ACNE | CRAVOS | ESPINHAS | Causas e tratamento) e a Finasterida usada para hiperplasia benigna de próstata (leia: CÂNCER DE PRÓSTATA | HIPERPLASIA BENIGNA DA PRÓSTATA) e calvície (leia: CALVÍCIE | QUEDA DE CABELO | Causas e tratamento) não podem ter sido administradas nos últimos 30 dias antes da doação.
  • Dutasterida, também usada para hiperplasia benigna de próstata não pode ter sido tomada nos últimos 6 meses
  • A Acitretina usada na psoríase não pode ter sido tomada nos últimos 3 anos. Alguns bancos de sangue consideram o uso da Acitretina como contraindicação definitiva, independente do tempo de suspensão.
  • O Etretinato, também usado na psoríase, contraindica a doação para o resto da vida, já que ainda é possível detectá-lo no sangue mesmo vários anos após o fim do tratamento.
Pacientes em uso de coagulantes como Varfarina e Heparina também não devem doar sangue. Pacientes que usaram aspirina ou anti-inflamatórios nos últimos 5 dias ou clopidogrel e/ou ticlopidina nas últimas 2 semanas, também não estão aptos a doar.

Como é feita a doação de sangue?

doação de sangue
O candidato é primeiramente questionado sobre sua atual condição de saúde e seu histórico clínico à procura de dados que possam contraindicar a doação de sangue, seja temporariamente ou de modo permanente. É também realizada uma rápida avaliação dos sinais vitais e uma gota de sangue é retirada do dedo para determinação do grupo sanguíneo e para saber se o paciente está com anemia. (leia: ANEMIA |CAUSAS E SINTOMAS).

Durante a doação são retirados cerca de 450 ml de sangue, o volume de uma bolsa de sangue. O procedimento todo, desde a entrevista à doação do sangue propriamente dita, dura menos de 1 hora.

O volume de sangue retirado é sempre o mesmo, pois as bolsas são padronizadas com uma quantidade exata de anticoagulante. Qualquer volume de sangue a mais ou a menos pode resultar em um sangue sem qualidade para a transfusão.

Doar sangue é seguro?

Todo o material usado para coleta do sangue é esterilizado e descartável, não havendo risco de contrair doenças.

Cerca de 7% a 8% do nosso peso equivale ao volume de sangue circulante. Ou seja, em uma pessoa de 50 quilos há algo em torno de 4 litros de sangue dentro dos vasos. Os 450ml de sangue doados seriam, portanto, aproximadamente 10% do volume de sangue circulante. Por isso, pessoas muito magras não devem ser doadoras, pois a quantidade necessária para preencher um bolsa ultrapassa o limite de segurança.

O corpo repõe:
- Em 24 horas a quantidade de líquido doada.
- Em 4 semanas a quantidade de hemácias (glóbulos vermelhos).
- Somente em 60-90 dias, os estoques de ferro » Daí o intervalo mínimo obrigatório entre as doações.

Mantidos os cuidados acima, a doação de sangue é um procedimento praticamente inócuo. Eventualmente pode ocorrer uma equimose (mancha roxa) no braço, no local da punção, sem maiores consequências. Alguns indivíduos mais ansiosos podem desmaiar durante a picada, mas como esta é feita já com o candidato deitado, não ocorrem maiores problemas. (leia: DESMAIO, SÍNCOPE E REFLEXO VAGAL).

Nas pessoas mais magras, pode ocorrer um certo grau de cansaço nas primeiras 24h após a doação do sangue.
Que doenças serão testadas no meu sangue doado?

- HIV, hepatite B, hepatite C, doença de chagas, sífilis, HTLV I e II. Se qualquer uma dessas doenças for detectada, o sangue será desprezado e o doador contactado e informado sobre a necessidade de repetir as sorologias.

Orientações após a doação

- Assegure-se de ter uma boa hidratação nas 24h subsequentes a doação. Beba bastante líquido e evite bebidas alcoólicas.
- Alimente-se bem.
- Não fume na primeira hora após a doação.
- Não faça atividades desgastantes no primeiro dia.
- Se tiver sentindo tonturas, deite-se e coloque as pernas apoiadas para cima. Isto deverá ser suficiente.
- O curativo pode ser removido após 4 horas.

Observações finais

- Doar sangue não engorda nem emagrece.
- Doar sangue não vicia nem cria dependência.
- Doar sangue não afina nem engrossa o sangue.
- Mulheres podem doar sangue durante o período menstrual.
- Não se pega doenças doando sangue.

DOE SANGUE! Não custa nada, é rápido e você poderá salvar várias vidas.


Leia o texto original no site MD.Saúde: PARA DOAR SANGUE | informações para doadores http://www.mdsaude.com/2010/05/doacao-sangue.html#ixzz2HNhXIz3W