sexta-feira, 19 de julho de 2013

ANTICORPOS E TIREOIDE: anti-TPO, TRAb e anti-tireoglobulina

ANTICORPOS E TIREOIDE: anti-TPO, TRAb e anti-tireoglobulina

  • Add to favorites
  • Email
  • PDF
  • Print
  • RSS
As principais doenças da glândula tireoide, como a tireoidite de Hashimoto e a doença de Graves, têm uma origem autoimune, ou seja, são provocadas pelo surgimento de anticorpos contra a própria tireoide. Atualmente, conseguimos identificar através de exames de sangue a presença de pelo menos três anticorpos antitireoidianos: anti-TPO, TRAb e anti-tireoglobulina.
Neste artigo, vamos falar sobre os anticorpos antitireoidianos abordando os seguintes pontos:
  • O que é uma doença autoimune.
  • O que são anticorpos antitireoidianos.
  • Anticorpo anti-TPO.
  • Anticorpo anti-tireoglobulina.
  • Anticorpo TRAb.
  • Utilidade dos anticorpos antitireoidianos.
Se você quiser saber mais sobre as doenças da glândula tireoide, temos uma série de artigos sobre o assunto:

O que é uma doença autoimune

Uma doença autoimune é aquela que surge devido a um defeito do sistemaimunológico, que, inapropriadamente, passa a produzir anticorpos contra nós mesmos. Em vez de produzir anticorpos somente contra vírus, bactérias ou outros agentes invasores nocivos, o sistema imunológico cria anticorpos que apresentam dificuldades em distinguir uma bactéria ou vírus de uma proteína natural de um órgão ou tecido do nosso organismo.
Existem dezenas de doenças autoimunes, entre elas podemos citar:
Diabetes tipo I (leia: DIABETES MELLITUS | Diagnóstico e sintomas).
artrite reumatoide (leia: ARTRITE REUMATOIDE).
Vitiligo (leia: VITILIGO | Causas e tratamento).
Lúpus (leia: Sintomas do Lúpus).
Doença celíaca (leia: DOENÇA CELÍACA | Enteropatia por glúten).
No caso das doenças autoimunes da glândula tireoide, as duas mais comuns são a tireoidite de Hashimoto a doença de Graves.
Para saber mais detalhes sobre as doenças autoimunes, leia: DOENÇA AUTOIMUNE.

O que são anticorpos antitireoidianos

Anticorpos contra a Tireoide
Tanto na tireoidite de Hashimoto quanto na doença de Graves, o sistema imunológico passa a produzir anticorpos que atacam proteínas específicas da glândula tireoide. Os anticorpos se ligam a determinados pontos da tireoide e passam a atacá-los, provocando uma grande reação inflamatória local e destruição do tecido sadio da glândula tireoide.
Os três principais auto-anticorpos associados a doenças autoimunes da tireoide são:
- Anticorpos Antitireoperoxidase (também chamado anticorpo anti-TPO).
- Anticorpos Antitireoglobulina (Anti-Tg).
- Anticorpos Anti-receptores de TSH (também chamado TRAb).
1. Anticorpo anti-TPO (anticorpos anti-tireoperoxidase)
A tireoperoxidade (TPO) é uma enzima presente nas células epiteliais da tireoide que participa da síntese dos hormônios tireoidianos. Mais de 90% dos pacientes com tireoidite de Hashimoto possuem anticorpos anti-TPO (antigamente chamado anticorpos anti-microssomal). Os anticorpos anti-TPO também estão presentes na doença de Graves, mas em menor frequência, ao redor de 75% dos casos.
Todavia, é bom salientar que cerca de 15% da população geral sadia e das gestantes, sem doenças da tireoide, podem ter anticorpos anti-TPO positivos, sem que isso tenha significado clínico imediato. Os anticorpos anti-TPO também são comuns em familiares de pacientes com doenças autoimunes da tireoide. 50% deles têm anti-TPO positivo sem ter qualquer sinal de doença da tireoide. Portanto, não basta ter anticorpos antitireoidianos presentes para se desenvolver doença autoimune da tireoide. Outros fatores ainda não totalmente elucidados são necessários.
Em geral, pacientes com anticorpos anti-TPO apresentam maior risco de desenvolverem doenças autoimunes da tireoide, principalmente se já tiverem critério para hipotireoidismo subclínico. Na verdade, este é o grupo de pacientes que mais se beneficia da pesquisa do anti-TPO, pois um valor elevado sugere que o paciente tem o dobro de chance do seu hipotireoidismo subclínico evoluir para hipotireoidismo franco quando comparado com pacientes sem anticorpos anti-TPO .
Como a imensa maioria dos casos de hipotireoidismo é provocada pela tireoidite de Hashimoto, muito médicos não solicitam a pesquisa do anti-TPO. O resultado muito provavelmente será positivo e isso nada influenciará no tratamento da doença. A pesquisa da anti-tireoperoxidase acaba sendo mais útil quando há dúvidas sobre a origem da doenças da glândula tireoide.
Não é indicado solicitar a pesquisa de anticorpos anti-TPO (ou qualquer outro auto-anticorpo) na população em geral, sem que haja um motivo específico para tal. A única exceção são as pessoas sadias, mas com história familiar de doença autoimune da tireoide, pois a presença do anti-TPO sugere um maior risco de problemas na tireoide no futuro. Mesmo assim, é muito questionável a utilidade deste exame se o paciente não tiver critérios para hipotireoidismo subclínico. Como já vimos, ter o anticorpo no sangue não significa obrigatoriamente que o paciente terá qualquer problema com a sua tireoide.
Na maioria dos laboratórios o valor de referência para o anti-TPO é menor que 15 U/ml. Porém, há laboratórios que trabalham com até 60 U/ml como a faixa de normalidade. O mais indicado, portanto, é comparar o valor do anti-TPO do paciente com o da referência do laboratório. Quanto maior for o resultado, mas provável é a presença de uma doença autoimune da tireoide.
2. Anticorpos anti-tireoglobulina (anti-Tg)
A tireoglobulina é uma substância precursora dos hormônios da tireoide, que costuma ficar estocada dentro do tecido tireoidiano. A presença de anticorpos contra a tireoglobulina é muito comum na tireoidite de Hashimoto, estando presente em 80 a 90% dos casos. Em geral, pacientes com Hashimoto apresentam anti-tireoglobulina e anti-TPO positivos. A presença de anti-tireoglobulina positiva e anti-TPO negativo na tireoidite de Hashimoto é pouco comum.
Assim como ocorre com os anticorpos anti-TPO, os anticorpos anti-tireoglobulinas também podem estar presentes também na doença de Graves. Cerca de 50 a 70% dos pacientes com Graves tem estes anticorpos positivos.
Apesar de estarem muito relacionados às doenças autoimunes da tireoide, a presença de anticorpos anti-tireoglobulinas não significa necessariamente que o paciente tenha ou venha a ter algum problema da tireoide. Cerca de 15% da população saudável e das grávidas podem ter esses anticorpos detectáveis no sangue, sem que isso tenha relevância clínica.
Na maioria dos laboratórios o valor de referência para o anti-tireoiglobulina é menor que 100 U/ml. há laboratórios que trabalham com outros valores de normalidade, por isso, mais importante que o valor absoluto e a comparação com os valores de referência fornecidos no laudo.
Ao contrário do anti-TPO, os anticorpos anti-tireoglobulina podem desaparecer após anos de tratamento do hipotireoidismo.
3. Anticorpos anti-receptores de TSH (TRAb)
O TSH é um hormônio liberado pela glândula hipófise, que age estimulando a produção de hormônios pela tireoide. Os receptores de TSH localizados na tireoide podem ser alvo de ataque de anticorpos, que recebem o nome de anticorpos anti-receptores de TSH (TRAb).
Ao contrário do anti-TPO e do Anti-Tg, que são mais comuns na tireoidite de Hashimoto que na doença de Graves, o TRAb encontra-se presente em até 95% dos casos de Graves e apenas em 20% dos pacientes com Hashimoto. Outra diferença relevante é o fato do TRAb não estar, habitualmente, presente na população em geral sadia.
Os anticorpos anti-receptores de TSH podem se ligar aos receptores de TSH e estimulá-los, levando a tireoide a produzir hormônios tireoidianos em excesso. O TRAb também pode se ligar aos receptores de TSH e bloqueá-los, impedindo que o TSH atue sob a tireoide, provocando, assim, um estado de hipotireoidismo.
Na maioria dos laboratórios o valor de referência para o TRAb é menor que 1,5 U/L. A dosagem do TRAb pode ser usada para acompanhar a eficácia do tratamento, uma vez que o seus valores costumam cair conforme a doença de Graves é controlada.

Quando deve-se investigar a presença de anticorpos antitireoidianos?

Em geral, o TRAB, anti-TPO e a anti-tg não são essenciais para o diagnóstico das doenças da tireoide. Como a imensa maioria dos casos de hipotireoidismo são causados pela tireoidite de Hashimoto, a dosagem de anti-TPO e a anti-tg acaba acrescentando pouca informação clínica ao caso. Sua utilidade é maior na avaliação da progressão dos casos de hipotireoidismo subclínico.
Já nos pacientes com hipertireoidismo, o melhor exame para investigar a causa é a cintigrafia com iodo, pois ela é capaz de distinguir as diversas doenças que provocam o funcionamento excessivo da glândula tireoide. A pesquisa de TRAb acaba sendo muito útil apenas se no local onde o paciente vive não houver facilidade para se realizar uma cintigrafia com iodo. Uma pesquisa positiva para TRAb em pacientes com hipertireoidismo é fortíssimo indício de doença de Graves. Um TRAb negativo praticamente descarta Graves, porém, ele não ajuda a identificar as outras causas de hipertireoidismo como faz a cintigrafia com iodo.
Como já citado anteriormente, a pesquisa do TRAb também pode ser útil no seguimento dos paciente sob tratamento para hipertireoidismo. O controle da doença está associado à queda dos valores do TRAb.

SANGRAMENTO DO NARIZ / EPISTAXE

SANGRAMENTO DO NARIZ | EPISTAXE

  • Add to favorites
  • Email
  • PDF
  • Print
  • RSS
O sangramento nasal, chamado em medicina de epistaxe, é uma situação muito comum, que chega a acometer mais de 60% da população em algum momento da vida. Apesar de assustar, os sangramentos do nariz raramente provocam  alguma complicação relevante.  Na imensa maioria dos casos, a perda de sangue pode ser facilmente controlada em casa, sem auxílio médico.
Neste artigo sobre sangramento nasal vamos abordar os seguintes pontos:
  • Tipos de epistaxe.
  • Causas de sangramento do nariz.
  • O que fazer quando o nariz sangra.
  • Tratamento médico dos sangramentos nasais.

Tipos de epistaxe

Epistaxe - sangramento do nariz
A cavidade nasal é altamente vascularizada e seus vasos são relativamente superficiais, principalmente na região mais anterior do nariz. O sangramento nasal é habitualmente classificado em epistaxe anterior e epistaxe posterior.
A epistaxe anterior é disparada a forma mais comum de sangramento do nariz. Ela surge quando há lesão dos vasos na região anterior da mucosa nasal, mais próxima das narinas. Nesta região, várias pequenas artérias se ligam, formando um emaranhado vascular conhecido como plexo de Kiesselbach, que é um sítio muito frágil, que sangra com facilidade.
A epistaxe posterior é mais rara, sendo responsável por apenas 5% dos casos de sangramento nasal. Apesar de ser menos comum, os sangramentos posteriores costumam ser mais volumosos e de difícil controle. Os poucos casos de epistaxe que necessitam de atendimento médico de urgência são geralmente aqueles que têm origem na região posterior da cavidade nasal.
A epistaxe é mais comum em crianças com menos de 10 anos e em adultos com mais de 45.  Isso não significa, de modo algum,  que adolescentes e adultos jovens não possam ter sangramentos pelo nariz.

Quais são as causas de sangramentos do nariz?

A maioria dos casos de epistaxe surge por traumas na mucosa nasal. O ato de colocar o dedo dentro do nariz para tirar meleca é a principal causa.
Outras situações que também aumentam o risco de sangramento nasal são:
- Quando a umidade do ar encontra-se muito baixa, a mucosa nasal fica mais ressecada e irritada, fazendo com que lesões no local tornem-se mais fáceis de ocorrer. Pessoas que passam o dia em locais fechados com ar-condicionado ou aquecimento ligado são as mais susceptíveis a apresentarem sangramentos pelo nariz.
- Infecções das vias aéreas ou quadros alérgicos que provoquem irritação da mucosa nasal e rinite também são fatores de risco para a epistaxe (leia:  RINITE ALÉRGICA | Sintomas e tratamento).
- Pessoas que sofreram traumatismo na face, como em acidentes de automóvel ou agressões físicas, podem passar a ter sangramentos do nariz de forma intermitente. Pacientes com desvio de septo também costumam ter mais episódios de perda de sangue nasal.
- Em crianças pequenas, a presença de um corpo estranho (tipo grão de arroz ou feijão) inoculado dentro do nariz sem o conhecimento dos pais pode ser a causa do sangramento. A dica é a presença de sangue acompanhado de secreção purulenta.
- Pacientes  em uso de medicamentos que interferem na coagulação sanguínea, como os anticoagulantes heparina ou varfarina (leia: VARFARINA (Marevan,Varfine, Coumadin) | Controle do INR) também apresentam maior risco de epistaxe. Drogas usadas para diminuir a ação das plaquetas, como a Aspirina (AAS) ou clopidogrel também aumentam o risco de sangramentos, mas não tanto quanto os anticoagulantes (leia: ASPIRINA | AAS | Indicações e efeitos colaterais).
- Pacientes que fazem uso crônico de corticoides intranasais também estão sob maior risco. Do mesmo modo, o uso excessivo de descongestionantes nasais também pode irritar a mucosa do nariz,  favorecendo a epistaxe.
- Usuários de cocaína frequentemente apresentam lesão da mucosa nasal e sangramentos pelo nariz (leia: COCAÍNA | CRACK | Efeitos e complicações).
- Tumores da cavidade nasal costumam provocar sangramentos, mas felizmente, eles respondem apenas por uma minoria dos casos de epistaxe.
Causas menos comuns de sangramento nasal frequente incluem as doenças da coagulação, como hemofilia ou doença de von Willebrand, e má-formações dos vasos da cavidade nasal, como ocorre na doença de Osler-Weber-Rendu.
Apesar de popularmente aceito, a hipertensão arterial parece não ser causa de epistaxe. Não há consenso na literatura médica, mas a tendência atual é de não considerar a hipertensão como fator desencadeante dos sangramentos nasais. O que ocorre frequentemente é a elevação da pressão após o início do sangramento, devido à ansiedade que a perda de sangue, às vezes volumosa, provoca no paciente.

O que fazer quando o nariz sangra?

A grande maioria dos sangramentos do nariz é autolimitada e pode ser controlada em casa. Enquanto tenta-se estancar o sangramento é importante evitar que o sangue reflua posteriormente, indo em direção à faringe, o que favorece a sua deglutição ou até a a sua aspiração pelos pulmões, se o sangramento for muito volumoso. Portanto, o ato de levantar a cabeça ou deitar-se com a narina tampada por uma compressa de pepel higiênico, algodão ou gaze está errado. Isso não acelera a cicatrização e ainda pode levar o paciente a deglutir o ou aspirar sangue, principalmente no caso das crianças.
Parar sangramento do nariz
O modo correto de estacar um sangramento nasal é sentar-se, inclinar levemente o tronco e a cabeça para frente e com os dedos polegar e indicador apertar as narinas pelo lado do fora, de forma a tapar a saída de sangue. Mantenha o nariz apertado por pelo menos 5 minutos ininterruptos. Não fique tirando a pressão dos dedos a toda hora para ver se o sangramento ainda persiste. Compressas frias pelo lado de fora no nariz também podem ser usadas. Se após 5 minutos o sangramento persistir, repita a operação, agora mantendo a pressão por 10 a 15 minutos.
Após a cessação do sangramento, fique em repouso por pelo menos 1 hora. Não assoe o nariz e não faça esforço físico pelo resto do dia. Procure manter a cabeça acima do nível do coração (não deite nem ponha a cabeça entre as pernas) para reduzir a pressão sanguínea nos vasos do nariz.
Se após 20 minutos de compressão nasal o sangramento persistir, ou se houver hemorragia nasal, com sangramento for muito volumoso desde o início, procure ajuda médica.
Outros motivos para procurar ajuda médica devido a sangramentos nasais são:
- Epistaxe que surgem após traumas da cabeça.
- Epistaxes recorrentes, que vão e voltam ao longo do dia, por vários dias seguidos.
- Pacientes em uso de anticoagulantes que apresentam sangramento nasal devem procurar atendimento médico para avaliar a possibilidade de intoxicação pelos coagulantes.
- Se o paciente tiver sido submetido a algum procedimento cirúrgico na face recentemente.
- Sangramentos do nariz que surgem junto com febre e/ou dor de cabeça.

Tratamento médico do sangramento nasal

Quando o paciente se depara com uma das situações listadas acima, um tratamento mais especializado passa a ser necessário para o controle dos sangramentos nasais. Os tratamentos mais usados para o controle do sangramento são:
a) Cauterização química
A cauterização química é um processo no qual o médico usa substâncias químicas para “queimar” os vasos sangrantes e estancar a perda de sangue pelo nariz. Inicialmente, coloca-se na cavidade nasal um algodão embebido com anestésico local e uma substância vasoconstritora para diminuir o sangramento. Depois, usamos um algodão embebido com ácido tricloroacético ou nitrato de prata para cauterizar a região sangrante e seus arredores.
b) Cauterização elétrica
A cauterização elétrica é habitualmente utilizada quando a cauterização química não consegue estancar totalmente o sangramento nasal. É um procedimento mais doloroso que precisa ser feito com adequada anestesia local.
c) Cauterização endoscópica
Com o uso de endoscópio é possível visualizar diretamente os pontos sangrantes dentro do nariz. Ambas as formas de cauterização podem ser usadas (química ou elétrica). É uma forma mais efetiva de controlar os epistaxes mais posteriores.
d) Tampão nasal anterior
Se as técnicas de cauterização descritas acima falharem, o médico lançará mão dos tampões nasais para interromper a perda  e sangue pelo nariz. Os tampões são umas espumas sintéticas, feitas especialmente para absorver sangue e estancar sangramentos. Depois de implantados dentro da cavidade nasal, o tampão pode ser enchido com soro, de forma a se expandir e comprimir as paredes dos vasos com sangramento. O tampão costuma ser retirado após 48-72 horas.
e) Cirurgia
Se tudo falhar, a cirurgia para ligadura (geralmente por via endoscópica) ou embolização de artérias que nutrem a cavidade nasal é a alternativa que resta.

CISTITE INTERSTICIAL/ SÍNDROME DA BEXIGA DOLOROSA

CISTITE INTERSTICIAL | Síndrome da bexiga dolorosa

  • Add to favorites
  • Email
  • PDF
  • Print
  • RSS
A cistite intersticial, também conhecida por cistite crônica ou síndrome da bexiga dolorosa, é uma condição que afeta principalmente as mulheres e se caracteriza por dores recorrentes na bexiga, semelhantes àquelas que surgem nos quadros de infecção urinária.
Neste artigo vamos abordar os seguintes pontos sobre a síndrome da bexiga dolorosa:
  • O que é a cistite intersticial.
  • Sintomas da cistite crônica.
  • Tratamento da síndrome da bexiga dolorosa.
Neste artigo falaremos apenas da cistite intersticial. Se você está à procura de informações sobre cistite e infecção urinária, leia:

O que é a cistite intersticial

A síndrome da bexiga dolorosa é uma doença ainda pouco conhecida, com causas não esclarecidas. Uma definição aceitável para a cistite crônica é: existência de incômodo (dor, ardência, peso, pressão, desconforto…) na região da bexiga com duração de pelo menos 6 semanas, associados a outros sintomas de infecção urinária, sem, porém, haver de fato sinais de infecção da bexiga.
Cistite crônicaNa verdade, o nome síndrome da bexiga dolorosa é melhor que cistite intersticial ou cistite crônica, já que o termo cistite indica inflamação da bexiga, fato que não existe na maioria dos pacientes com esta doença.
Em apenas 10% dos casos é possível encontrar alterações na bexiga que justifiquem a dores. Em geral, são pequenas placas ulcerosas que se tornam visíveis quando a bexiga está muito distendida. Nos 90% dos casos restantes, porém, nem mesmo a biópsia da bexiga é capaz de encontrar alterações relevantes nas células. Acredita-se que os pacientes com síndrome da bexiga dolorosa apresentem alterações no funcionamento dos nervos da bexiga, tornando-os mais sensíveis.
Há uma corrente que trata a síndrome da bexiga dolorosa como uma variante de outras síndromes dolorosas, como a síndrome do intestino irritável ou a fibromialgia. Na verdade, é comum o paciente ter duas ou até essas três doenças ao mesmo tempo.
A síndrome da bexiga dolorosa acomete mais mulheres do que homens. Cerca de 9 em cada 1000 mulheres tem sintomas de cistite crônica. Nos homens, essa taxa é de apenas 0,6 para cada 1000. Praticamente todos os paciente com cistite intersticial são de etnia caucasiana (brancos) e os sintomas costumam surgir após os 40 anos, apesar de também haver casos em crianças.

Sintomas da cistite crônica

O principal sintoma da síndrome da bexiga dolorosa é um desconforto da bexiga, geralmente associado ao fato dela estar cheia.
As características deste incômodo variam entre os indivíduos e ao longo do curso da doença. Alguns pacientes queixam-se de dor, enquanto outros descrevem a sensação como “uma pressão” ou “um desconforto”. Ainda há alguns pacientes relatam espasmos da bexiga. Os sintomas podem variar de um dia para o outro, e a intensidade da dor pode ser descrita como uma leve a pressão até uma intensa dor debilitante.
Em muitos pacientes, a cistite crônica é um quadro de dor crônica incapacitante, influenciando no rendimento no trabalho e nas relações pessoais. A dor, o aumento da frequência urinária e o cansaço podem provocar uma degradação da qualidade de vida. Há pacientes que precisam urinar de 30 em 30 minutos.
Entre os sintomas mais comumente relacionados à síndrome da bexiga dolorosa estão:
Urgência para urinar57-98% dos casos
Vontade constante de urinar84-97%
Dor66-94%
Necessidade de acordar à noite para urinar  44-90%
Disúria (dor ao urinar)71-98%
Dor na região suprapúbica39-71%
Dor na região do períneo25-56%
Espasmos da bexiga50-74%
Sensação de pressão na região púbica60-71%
Dor vaginal durante o ato sexual46-80%
Depressão55-67%
Hematúria (sangue na urina)14-33%

A localização do desconforto da bexiga é geralmente descrita como sendo acima do púbis ou na região da uretra, embora dor abdominal inferior unilateral ou dor lombar associada à bexiga cheia também sejam observadas em alguns casos.
Quanto ao aparecimento dos sintomas, a maioria dos pacientes descrevem um início gradual, com agravamento do desconforto, urgência urinária e frequência ao longo de um período de meses. Um grupo menor de pacientes descrevem os sintomas como abruptos e graves desde o seu início. Alguns pacientes são até capazes de citar a data exata em que os sintomas começaram.
Exacerbações dos sintomas podem ocorrer após a ingestão de certos alimentos ou bebidas, durante o estresse, quando se fica muito tempo sentado, ou depois de certas atividades, como, por exemplo, exercício físico ou sexo.  A dor da cistite crônica pode também se agravar durante a segunda metade do ciclo menstrual.
Na maioria dos pacientes não é possível identificar um evento que sirva de gatilho para o início dos sintomas. Porém, em alguns, a cistite crônica surge após um episódio de infecção urinária, um procedimento cirúrgico ou trauma na região do cóccix.
Uma característica importante da síndrome da bexiga dolorosa é o fato do exame de urina não apresentar sinais de infecção urinária. O exame de urina simples (EAS ou urina tipo I) são sempre normais e a urocultura é repetidamente estéril (negativa). Eventualmente, o paciente pode apresentar hematúria (sangue na urina) o que acaba por dificultar o diagnóstico devido a série de outras alterações urinárias que devem ser descartadas antes de se pensar em cistite crônica.
Leia:
A presença de uma urocultura positiva dentre várias negativas não invalida o diagnóstico de cistite intersticial, pois nada impede que a paciente com síndrome da bexiga dolorosa possa ter uma infecção urinária, como qualquer outra pessoa. O problema é que mesmo tratando e eliminado a bactéria, se paciente tiver mesmo cistite crônica, os sintomas irão persistir.
O exame físico do paciente com suspeita de cistite crônica geralmente inclui um exame ginecológico completo nas mulheres e um exame de toque retal nos homens. Muitas vezes, os pacientes apresentam sensibilidade no abdômen, quadris e nádegas. As mulheres têm sensibilidade na vagina e ao redor da bexiga, e os homens no escroto e pênis. Por esta razão, o exame médico pode ser desconfortável.

Tratamento da síndrome da bexiga dolorosa

Não existe um tratamento simples para eliminar os sinais e sintomas da cistite intersticial. Do mesmo modo, não há um tratamento que funcione para todos. O que pode funcionar para um paciente, pode não fazer efeito algum para outro. Por isso, o paciente com síndrome da bexiga dolorosa pode precisar experimentar vários tratamentos ou combinações de tratamentos antes de encontrar uma abordagem que alivie os seus sintomas.
Um dos objetivos do tratamento é ensinar o paciente a evitar fatores que possam agravar o quadro. Identificar alimentos, atividades e situações que desencadeiam os sintomas é importante para a melhora da qualidade de vida. O cigarro costuma piorar os sintomas, portanto, parar de fumar é importante.
A síndrome da bexiga dolorosa não é um distúrbio psicológico, mas os sintomas podem ser agravados por estresse, ansiedade, depressão ou outros fatores psicológicos. Além disso, a doença em alguns casos é tão severa que pode causar dificuldades nos relacionamentos, no trabalho, na escola e no dia-a-dia em geral. Apoio psicológico pode ser útil para lidar com estes problemas.
Entre as drogas que podem ser usadas para controle dos sintomas estão os analgésicos, anti-inflamatórios e antidepressivos (geralmente amitriptilina).
Há uma droga desenvolvida especificamente para o tratamento da cistite intersticial, chamada polissulfato sódico de pentosana, comercializada sob o nome Elmiron® ou Cistosan®. Este medicamento foi desenvolvido para reparar o revestimento da bexiga em pessoas com síndrome da bexiga dolorosa. Estudos têm mostrado que esta medicação é realmente eficaz em reduzir os sintomas de alguns pacientes, embora, raramente, faça com que os sintomas desaparecem completamente. O polissulfato sódico de pentosana precisa ser tomado por três a seis meses antes que qualquer benefício possa ser identificado.
Uma outra droga muito usada no tratamento da cistite crônica é o dimetilsulfóxido (DMSO), administrada diretamente na bexiga através de um cateter vesical. As administrações são habitualmente semanais por seis a oito semanas. O DMSO não é eficaz em todos os pacientes e, em alguns casos, pode causar agravamento temporário da dor. Esta droga, porém, tem sido usada durante muitos anos, sendo considerada como sendo muito segura e sem efeitos secundários de longa duração.
A estimulação elétrica transcutânea (TENS) usa pulsos elétricos suaves para aliviar a dor pélvica e, em alguns casos, reduzir a freqüência urinária. Fios elétricos são colocados na parte inferior das costas ou logo acima da região pubiana. Pulsos elétricos são administrados por minutos ou horas, duas ou mais vezes ao dia, dependendo da resposta do paciente.

EFEITOS COLATERAIS E RISCOS DOS ANTICONCEPCIONAIS

Posted: 18 Jul 2013 10:31 AM PDT
A pílula anticoncepcional, também chamada de contraceptivo oral, é um método contraceptivo muito confiável, com uma taxa de sucesso ao redor dos 99%. Além de impedir a gravidez, os anticoncepcionais também são benéficos em outras situações, como no tratamento do hiperandrogenismo (excesso de hormônio masculino), da dismenorreia (cólica menstrual), da menorragia (excesso de menstruação) e da tensão pré-menstrual.
Apesar de ser uma droga segura e em uso há muitas décadas, existem, contudo, várias contra-indicações e possíveis efeitos colaterais relacionados ao uso do anticoncepcional.
A diminuição progressiva das doses de estrogênio e progestina (forma sintética da progesterona) desde a introdução da pílula no mercado na década de 1960 conseguiu obter uma relevante redução nos efeitos secundários, como tromboses e complicações cardiovasculares.
Este artigo vai abordar as principais contraindicações, riscos e efeitos colaterais da pílula anticoncepcional.
Temos outros artigos sobre métodos anticoncepcionais que podem ser acessados nos links abaixo:

Efeitos colaterais dos anticoncepcionais

1- Sangramento de escape
Sangramentos escape, ou seja, perdas sanguíneas pela vagina fora do período menstrual, são o efeito colateral mais comum dos contraceptivos orais. O sangramento de escape não indica falha na eficácia da pílula nem é considerado uma menstruação fora de hora. Ele geralmente ocorre nos primeiros ciclos de uso da pílula pela fragilidade da parede do útero, que costuma tornar-se atrofiado pelo uso do anticoncepcional. Habitualmente, as pílulas com doses baixas de estrogênio são as que mais provocam sangramento de escape. Com o tempo, porém, o sangramento de escape tende a diminuir e desaparecer.
Pilula anticoncepcional
Uma causa comum de sangramento de escape nas mulheres em uso da pílula é o uso errado do anticoncepcional, principalmente quando a paciente se esquece de tomar o medicamento diariamente. nestes casos, o sangramento se dá por variações súbitas nos níveis de hormônios e pode estar relacionado a uma falha no efeito protetor da pílula anticoncepcional.
2- Amenorreia – Ausência de menstruação
Amenorreia é o nome dado à ausência de menstruação. A amenorreia nas mulheres que usam pílula pode ser intencional ou não. Nas formas de uso contínuo do anticoncepcional, sem intervalos, a ausência de menstruação é uma fato esperado e programado. Porém, a amenorreia também pode surgir nas mulheres que fazem o uso das pílulas clássicas, aquelas com 4 ou 7 dias de pausa no final de cada cartela. Nesta situação, a ausência de menstruação não é algo esperado, pois a pausa serve exatamente para que os níveis de hormônios caiam e a menstruação desça normalmente. A ausência de menstruação nestes casos costuma estar relacionada aos uso de pílulas com baixa dose de estrogênio (20 mcg de etinilestradiol). Em geral, a troca por pílulas com doses mais altas (30 ou 35 mcg de etinilestradiol) costuma resolver o problema. É preciso esclarecer, contudo, que a presença da amenorreia de modo algum indica falha na parte contraceptiva da pílula.
Outro tipo de amenorreia que pode ocorrer é a chamada amenorreia pós-pílula, que aquela que surge quando a mulher resolve parar de tomar a pílula anticoncepcional. Um período de 1 ou 2 meses sem menstruação é comum em mulheres que fizeram uso da pílula por muito tempo. Mais de 90% das mulheres, porém, voltam a menstruar normalmente dentro de 3 meses. A ausência de menstruação por mais de 3 meses seguidos é indicação para uma consulta com o ginecologista para investigação da causa.
3- Ganho de peso
Historicamente e popularmente sempre se acreditou que o uso de anticoncepcionais estaria associado a um ganho de peso. É muito comum ouvir histórias de mulheres que afirmam ter engordado após iniciarem a pílula. No entanto, os estudos disponíveis até o momento não confirmam esta relação. Como exemplo, um estudo comparou 49 mulheres saudáveis que haviam iniciado recentemente um contraceptivo oral contendo 30 mcg de etinilestradiol e 75 mcg de gestodeno, com mulheres de idade e peso semelhantes, mas que não tomavam pílula. Após 6 meses de seguimento, quando os dois grupos foram comparados, notou-se que não havia diferenças relevantes em relação ao ganho de peso, IMC, percentual de gordura e relação cintura-quadril. Em ambos os grupos cerca de 30% das mulheres ganharam pelo menos meio quilo de peso neste intervalo e cerca de 20% perderam mais de meio quilo, demonstrando que a variação de peso não necessariamente tem a ver com uso da pílula.
Portanto, a famosa afirmação de que anticoncepcional engorda não possui sustentação científica.
4- Redução do desejo sexual
Este é outro tema controverso. Popularmente há a crença de que o uso da pílula provoca redução da libido nas mulheres, porém, os resultados dos estudos são contraditórios, pois enquanto alguns trabalhos mostram diminuição do desejo sexual, outros mostraram aumento da libido e da frequência de atos sexuais entre o casal.
Portanto, o efeito parece ser mais individual e estar relacionado a outros fatores de ordem psicológica que não apenas o uso dos anticoncepcionais orais. Algumas mulheres que relacionam a diminuição da libido com o início da pílula referem melhora quando trocam para uma marca com formulação de hormônios diferente.

Riscos dos anticoncepcionais para a saúde

Risco de trombose em quem toma anticoncepcional
Já há alguns anos se conhece a relação entre anticoncepcional e trombose. Nas últimas décadas, a diminuição progressiva nas doses de hormônios existentes nas pilulas anticoncepcionais tem sido bastante eficaz na redução da incidência de complicações, porém, o risco de trombose venosa ainda existe.
Na verdade, em mulheres jovens e saudáveis, o risco de trombose associada à pílula é muito baixo. Estudos mostram que a incidência de eventos trombóticos em mulheres que usam pílula é de 10 casos para cada 10.000 mulheres contra 5 casos para cada 10.000 que não usam contraceptivos orais. Portanto, o risco de trombose com o anticoncepcional pode até dobrar, mas ainda assim continua a ser bem baixo, ao redor dos 0,1%. Só como comparação, o risco de trombose venosa em mulheres grávidas é de pelo menos 30 a cada 10.000. Logo, estar grávida acarreta em um risco 3x maior de trombose do que o uso da pílula.
Em geral, o risco de eventos trombóticos é maior durante o primeiro ano de uso da pílula anticoncepcional. Alguns fatores, contudo, elevam o risco de trombose além do habitual, entre os mais comuns podemos citar:
- Obesidade.
- Idade acima de 39 anos.
- Ser fumante.
- História familiar de trombofilias ou outras doenças que interfiram na coagulação, como deficiência de proteína S, proteína C ou antitrombina, Fator V de Leiden, hiper-homocisteinemia, anticorpo antifosfolipídeo, síndrome nefrótica…
- Cirurgias, principalmente as ortopédicas dos membros inferiores.
- História prévia de eventos trombóticos.
A composição hormonal das pílulas também parece ter influência sobre o risco de trombose. A minipílula, por exemplo, não acarreta em maior risco. Por outro lado, a novas pílulas com progestinas de 3ª geração, como a desogestrel ou o gestodeno, parecem apresentar um risco ligeiramente maior de trombose que as pílulas com progestinas de 2ª geração como o levonorgestrel.
Risco de doenças cardiovasculares em quem toma anticoncepcional
Historicamente, uma grande preocupação em torno do uso de contraceptivos orais era o aumento de eventos cardiovasculares (infartos ou AVC) associados ao uso da pílula. Este problema, contudo, ocorria com mais frequência décadas atrás, quando as pílulas eram compostas por elevadas doses de hormônios. A redução do teor de estrogênio nos últimos anos aumentou substancialmente a segurança da pílula. Hoje em dia, o infarto do miocárdio é um evento extremamente raro em mulheres saudáveis ​​em idade reprodutiva. O risco atual é de cerca de 2 casos a cada 10.000 mulheres, ou seja, 0,02%.
Risco de câncer em quem toma anticoncepcional
A utilização de contraceptivos orais não está associada com um risco aumentado de câncer em geral. Todavia, alguns tipos câncer parecem ser mais comuns em que usa pílula e outros tipos parecem ser menos comum.
Por exemplo, os cânceres de cólon, reto, ovário e útero (câncer de endométrio) parecem ser menos comuns em mulheres que usam pílula anticoncepcional. Por outro lado, o câncer de colo de útero e do sistema nervoso central parecem ser mais comuns. Em relação ao câncer de mama há controvérsias. Exceto nas mulheres que possuem mutação nos genes BRCA 1 ou 2, não há evidências seguras de que o uso dos anticoncepcionais orais aumentem o risco de câncer